sábado, 28 de dezembro de 2013

A Torre de Babel


A palavra utopia vem do grego ou-tópos, que significa nenhum lugar, se refere àquele lugar fantástico, fictício, que não existe fora da mente.
O Iluminismo, o Romantismo e o Marxismo, são alguns exemplos de utopias e refletem a necessidade humana de um mundo melhor: mais livre, mais justo, mais solidário. São reflexo da Imagem de Deus que conservamos, ainda que obnubilada pela Queda. Deste ponto de vista, são positivas, imprescindíveis. Alguns as chamam de “motor da história”. Graças a ela, conquistamos importantes avanços.

O problema se apresenta quando nos esquecemos de que, apesar de conservarmos algo da Imagem de Deus, não somos Deus. Nossos sistemas utópicos são reducionistas. Acabam se convertendo em idolatria, fanatizando, desencadeando violência, e desembocando em despotismo, absolutismo e totalitarismo. A esperança se transforma em opressão. Isto ocorre porque são criações humanas, mundos ideais orgulhosamente construídos, onde a vontade de Deus não é levada em conta.

A quimérica Torre de Babel é um exemplo de utopia registrada na Bíblia.

Aí disseram: — Agora vamos construir uma cidade que tenha uma torre que chegue até o céu. Assim ficaremos famosos e não seremos espalhados pelo mundo inteiro. (Gn. 11:4)

Para a humanidade errante de então, a edificação de uma cidade que servisse de referencial e pudesse aglutinar uma grande comunidade, era uma muito boa ideia. Mas, ao desconsiderar a vontade de Deus, não passou de mais uma boa intenção.

O Senhor Deus diz: “Ai dos meus filhos que se revoltam contra mim, que fazem planos sem me consultarem e assinam acordos sem a minha aprovação! Assim amontoam pecado em cima de pecado”. (Is. 30:1)

Nós cristãos aguardamos a chegada do Reino de Deus.

Alguns fariseus perguntaram a Jesus quando ia chegar o Reino de Deus. Ele respondeu: — Quando o Reino de Deus chegar, não será uma coisa que se possa ver. 
Ninguém vai dizer: “Vejam! Está aqui” ou “Está ali”. Porque o Reino de Deus está dentro de vocês. (Lc. 17:20-21)

Seria esta esperança cristã mais uma utopia, como afirmam alguns?

Nossa esperança, enquanto a sua plena realização terrenal, tem muito de utópica, não podemos negar. Mas, se fosse somente uma utopia humana, já teria desaparecido.

Portanto, neste caso de agora, não façam nada contra estes homens. Deixem que vão embora porque, se este plano ou este trabalho vem de seres humanos, ele desaparecerá. 
Mas, se vem de Deus, vocês não poderão destruí-lo, pois neste caso estariam lutando contra Deus. E o Conselho aceitou a opinião de Gamaliel. (At.5:38-39)

Um sonho idealista não se manteria vivo por dois milênios. Apesar de séculos de guerras, inquisições, crueldade, de haver se convertido em religião, ideologia, de viver-se frequentemente de modo fanático ou evasivo, a esperança e a fé cristãs seguem firmes. Manifesta e em crescimento em muitos lugares, latente e em expectativa em outros tantos.

Esta é a grande diferença entre a antiga Torre de Babel e o Reino de Deus. Enquanto um projeto nasce da boa vontade humana, o outro nasce diretamente de Deus.

Muitas vezes gastamos nosso tempo e energia edificando nossa própria Babel. São projetos ambiciosos e, quase sempre, bem intencionados, mas que têm sua origem num coração contaminado pelo pecado.

Que tenhamos o discernimento necessário para reconhecer nossas verdadeiras motivações e entender a vontade de Deus para que sejamos edificadores de seu Reino e de forma alguma nos encontremos lutando contra Deus.

As pessoas podem fazer seus planos, porém é o Senhor Deus quem dá a última palavra.
Você pode pensar que tudo o que faz é certo, mas o Senhor julga as suas intenções.(Pv. 16:1-2)
 

Ó Senhor, tu és o meu Deus. Eu te adorarei e louvarei o teu nome, pois tens feito coisas maravilhosas; tens cumprido fielmente os planos seguros que há muito tempo decidiste fazer. (Is. 25:1)

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